Sindicato dos Fabricantes de Equipamentos, das Empresas Fornecedoras de Produtos e Serviços de Projeto, Montagem e Manutenção de Cozinhas Industriais em Hotéis, Motéis, Flats, Restaurantes, Bares, Lanchonetes, Fast-Foods, Supermercados, Hospitais, Escolas, Clubes e Similares do Estado de São Paulo.


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IPC fechou 2011 com alta de 5,81% - Aumento na hora de comer - 04/01/12

 

04 Janeiro 2012 - Paula Cunha e Agência Estado



O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) terminou o ano de 2011 com alta de 5,81%, resultado inferior aos 6,4% observados em 2010. O indicador medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicou que, apesar do recuo expressivo, o item despesas pessoais foi o que apresentou elevação mais significativa, com variação positiva de 8,35% no período. Na Capital paulista, algumas pessoas sentiram mais o peso da  elevação dos preços cobrados por estes serviços, principalmente a alimentação fora de casa e cuidados pessoais, como aquisição de produtos de higiene e beleza e visitas ao cabeleireiro.

Para o consultor Carlos Andreoli, houve aumento nos preços das refeições ao longo do ano, o que fez com que ele evitasse os endereços mais custosos. O mesmo aconteceu com o engenheiro Dalton Alves. "Passei a procurar locais com preços menores, mas que mantiveram a qualidade dos alimentos." 
 
O analista de sistemas Virgínio do Nascimento reclamou que o valor de seu tíquete-refeição não acompanhou o aumento dos preços, o que o forçou a procurar outros estabelecimentos no Centro. "A elevação dos preços nos restaurantes a quilo foi tão grande que, às vezes, é mais compensador optar pelo serviço à la carte", explicou. 
 
A advogada Liliana Guerreiro sentiu que os aumentos dos preços das refeições exerceram um certo peso em seu orçamento, mas eles não foram tão expressivos a ponto de forçá-la a uma mudança drástica de hábitos e uma procura por opções de valores inferiores de refeições. "Para compensar, optei por reduzir as idas ao cabeleireiro, de duas vezes ao mês para apenas uma." 
 
O analista Gustavo Araújo não reclamou dos preços da alimentação durante a semana, mas observou que houve elevação acima da inflação nos restaurantes mais sofisticados que costuma frequentar nos finais de semana. "Restringi a ida ao cinema e ao teatro em função das últimas altas de preços dos ingressos, que considero muito caros aqui em São Paulo", disse. 
 
Exceção – "Apesar de ter observado uma pequena elevação dos preços da alimentação fora de casa, a advogada Helen sentiu um impacto maior com o aumento nos valores de itens como cabeleireiro, cujas despesas saltaram de R$ 600 para R$ 1 mil nos últimos dois meses. 
 
Quanto ao lazer, percebeu também expansão nos valores de estacionamento, combustível, entradas de cinema e de teatro, mas não diminuiu os gastos com esses últimos itens. "Sinto que hoje economizo menos. Mas é importante lembrar que não tenho despesas que outras pessoas têm como pagamento de parcelas da casa ou do carro. Minha estrutura financeira é positiva", acrescentou. 
 
Para a engenheira Graça Adoni, a elevação de preços nos restaurantes que frequenta na hora do almoço não foi expressiva.
 
Viagem foi vilão do índice em dezembro
 
O vilão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na capital paulista em dezembro foi o item Viagem (Excursão), que no mês passado teve alta de 6,42% e contribuição de 10,63%, ou 0,06 ponto percentual, para o IPC Geral, que foi de 0,61%. "Esses preços normalmente sobem nesta época por causa das férias, mas nesse ano (2011) a alta foi mais elevada do que a média sazonal por conta dos aumentos de passagens aéreas", disse o coordenador do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Rafael Costa Lima. As passagens aéreas tiveram aumento de 7,44% no mês passado e ocuparam o terceiro lugar no ranking dos itens que mais contribuíram para o IPC – liderado justamente por Viagem.
 
Outros vilões do IPC de dezembro estão no grupo Alimentação, que avançou 1,44%, respondendo por 53,75% do IPC. Feijão teve alta de 10,22%; contrafilé subiu 8,34% e café em pó, 4,38%. A expectativa de Costa Lima para este grupo em janeiro é de manutenção de preços em patamares elevados, em razão da esperada pressão de alta dos produtos in natura, cuja oferta fica mais escassa nesta época do ano por causa das chuvas. A projeção da Fipe para Alimentação é de alta de 1,41% este mês.
 
Por outro lado, Vestuário já deve migrar para o campo de preços em quedas em janeiro. O grupo apresentou paulatina desaceleração nas últimas quadrissemanas de dezembro (1,34% na segunda, 1,08% na terceira e 0,38% no fechamento do mês). "A tendência é de queda com as remarcações de preços após o fim de ano", justificou Costa Lima, que prevê recuo de 0,34% para o grupo no fechamento de janeiro. 
 
Fipe fará recorte de grupo a partir de janeiro
 
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) passará a divulgar um índice da inflação dos serviços que compõem o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a partir de janeiro, informou ontem o coordenador do IPC, Rafael Costa Lima. Segundo ele, o índice acompanhará a ponderação desses preços que estão espalhados entre os sete grupos do IPC. "Terá a mesma ponderação relativa que tem no índice geral", disse o coordenador, acrescentando que, por isso, não pode ser considerado necessariamente um novo indicador. "São preços que já temos", explicou.
 
De acordo com Costa Lima, o projeto foi uma das suas primeiras contribuições desde que chegou na Fipe – ele assumiu oficialmente este ano a coordenação do IPC – e vem sendo estudado desde novembro. "Todos estão preocupados com a inflação de serviços e não é à toa", comentou o coordenador, que calcula que serviços representam "40% ou mais do IPC". A primeira divulgação do índice será no próximo dia 11, juntamente com o resultado do IPC da primeira quadrissemana de janeiro.
 
Costa Lima disse que ainda não está definido como será feita essa apresentação. "Não sei se faremos por grupos, se vamos separar os que têm peso grande de mão de obra", observou. Ele destaca a contribuição que a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que começou vigorar definitivamente em julho, deu para que fosse possível o projeto. "Depois da nova POF, vários serviços foram desagregados, como o aluguel por tipo de moradia (casa, apartamento) e número de dormitórios", exemplificou.


Fotos: Newton Santos/Hype