Sindicato dos Fabricantes de Equipamentos, das Empresas Fornecedoras de Produtos e Serviços de Projeto, Montagem e Manutenção de Cozinhas Industriais em Hotéis, Motéis, Flats, Restaurantes, Bares, Lanchonetes, Fast-Foods, Supermercados, Hospitais, Escolas, Clubes e Similares do Estado de São Paulo.


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Copa do Mundo promete turbinar o PIB até 2014 - 05/12/2011

Copa 2014 Notícia da edição impressa de 05/12/2011 
Economista-chefe do Itaú sustenta que investimentos farão País desacelerar menos em 2012 
Patrícia Comunello, de São Paulo
FERNANDA AMARAL/DIVULGAÇÃO/JC

Os investimentos públicos e privados e os efeitos para a renda e emprego associados à Copa do Mundo de 2014 devem agregar 1,5 ponto percentual na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A projeção é do economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, que apontou o impacto das ações preparatórias ao evento para o desempenho da economia em 2012. “Os investimentos para o Mundial ajudarão o País a desacelerar menos no próximo ano”, valorizou Goldfajn. 

O banco, que é um dos patrocinadores oficiais do mundial organizado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), está de olho na demanda por crédito que pequenas e grandes instituições terão nos próximos anos para ofertar produtos e serviços. Para 2012, o economista-chefe estima reforço de 0,5 ponto percentual na variação do PIB, que a instituição avalia que avançará entre 3% e 3,5%. “Parte do que será injetado na atividade no ano que vem estará ligada à competição. A preocupação agora é estímulo a investimentos, e a Copa vai nesta direção”, reforça o executivo, que considera o potencial da competição como além do normal do desempenho da economia. 
O cálculo do efeito do Mundial, que terá uma das sedes de jogos em Porto Alegre (eliminatórias e oitavas de final), segue o volume de aplicação de R$ 36,46 bilhões em infraestrutura, estádios, telecomunicações, segurança, hospedagem e saúde. O valor levantado equivale à projeção do governo federal e deve ser maior diante do aumento dos aportes de obras públicas. O estudo da área econômica do Itaú contabiliza a geração de 250 mil empregos, o que ajudará a reduzir em um ponto percentual a taxa de desemprego até 2014. “Meio percentual ao ano pode parecer pouco, mas é muito para o Brasil e já está garantido”, preveniu Goldfajn. O assunto foi tema do seminário Itaú Copa do Mundo da Fifa: 2014 é mais que futebol, para divulgar oportunidades de negócios, realizado em São Paulo. 
O turismo é uma das grandes apostas do desenvolvimento de oportunidades do banco junto aos setores empresariais e o que gera maior preocupação. “O Brasil vai precisar de muita coisa e as pequenas e médias empresas serão as que poderão aproveitar mais”, avalia o economista-chefe. O evento deverá atrair ao País cerca de 3 milhões de visitantes, que trazem junto um potencial de gastos dimensionado em R$ 5,3 bilhões. 
A cifra é considerada acanhada e é projetada a partir do efeito da Copa na África do Sul, onde o saldo foi aumento de 25% na receita do setor. 
A “marca” Brasil deverá conhecer um novo patamar após 2014, identifica Goldfajn, que vislumbra a visibilidade internacional proporcionada pela competição - antes e depois da disputa - e um fluxo mais vigoroso no comércio de mercadorias. “Estudos apuram aumento de 30% na receita com exportações decorrente do novo posicionamento de um País que é sede de eventos como a Copa. Hoje o comércio externo representa 15% do nosso PIB”, contrasta o especialista. 
Neste cenário, o economista-chefe adverte para a urgência no desenvolvimento de planos regionais pelas 12 cidades-sedes que potencializem a janela de visibilidade. 
As demandas dos preparativos devem impulsionar a taxa de investimentos interna, que é de 18%, ante 40% da China. Sobre o temor de atrasos nos preparativos ou carências de infraestrutura para os dias do evento, o executivo não acredita que os brasileiros farão feio e projeta que o “País é capaz de chegar aos 90 minutos do segundo tempo e ter mais três minutos de prorrogação para aprontar tudo”.  E lembra: “Diziam que a Copa da África do Sul seria um desastre e saiu. Depois todos comemoraram.“ 
Micro e pequenas empresas terão milhares de oportunidades para explorar com o evento 
O Copa do Mundo de 2014 começou em 2011 para segmentos empresariais que não cogitam ficar fora do rateio de receitas bilionárias projetadas com a competição no Brasil. Especialistas e dirigentes de instituições de apoio a micro e pequenos empresários (MPEs)  advertem que quem deixar para se mexer na última hora ficará fora da final, considerada os dias de realização do evento entre junho e julho de 2014. 
O Sebrae nacional fez levantamento e apurou que há pelo menos mil oportunidades de negócios nas 12 cidades-sedes, entre Porto Alegre. 
O superintendente do serviço de apoio a MPEs, Bruno Caetano, diz que já estão ocorrendo iniciativas que colocam grandes corporações do setor de construção com fornecedores de pequeno porte para abrir canal de venda de produtos e prestação de serviços. O diretor-executivo e sócio da Octagon no Brasil, que assessora  patrocinadores no ramo de marketing esportivo para o Mundial, Fred Pollastri, lembra que haverá centenas de ramos a serem explorados, como as fan fest (espaços ao ar livre com telões para as pessoas assistirem aos jogos) que serão montadas em diversas cidades. 
A Octagon, que tem sede nos Estados Unidos e administra US$ 3 bilhões em verbas ligadas a patrocinadores na área esportiva (US$ 300 milhões estão no Brasil), é exemplo de como pegar carona no evento. Segundo Pollastri, desde 2006, antes da confirmação do Brasil como sede (que ocorreu em 2007), a agência que ele dirigia já vislumbrava o mercado. 
No ano passado, a operação foi absorvida pela americana que já fechou contrato com Itaú, Ambev e Liberty para desenvolver planos de ativação da marca e deve divulgar nas próximas semanas mais dois contratos com patrocinadores oficiais. 
O diretor lembra que o turismo terá outro patamar no País e necessitará de estrutura desde a área de idiomas a fornecedores de ramo de alimentação e hospedagem. “A Copa já está ocorrendo. Tem de buscar informação para saber qual será a fatia do bolo de cada um”, provoca o diretor-executivo. O diretor de produtos para empresas do Itaú, Marcos Maccariello, desmistifica a ideia de que os grandes investimentos serão sugados por grandes corporações. Para Maccariello, as MPEs e os negócios de médio porte serão os maiores beneficiados. 
O banco deve intensificar em 2012 as linhas e marketing de produtos voltados a estes portes. O banco tem limite de R$ 100 bilhões para repassar ao setor, que já buscou 60% do caixa em 2011. 
Maccariello comparou o avanço do perfil de crédito buscado e identifica que hoje mais de 50% dos recursos do sistema nacional, segundo dados do Banco Central, já são canalizados para planos de um a três anos ou mais. No próximo ano, a instituição poderá criar modalidades que usarão o apelo da Copa. Turbinar o uso do cartão Bndes será uma das estratégias, pois oferta dinheiro mais  barato.